Inovação, criatividade e o cérebro no seu todo
A sociedade moderna, tão preocupada com o sucesso e com os resultados, exige o nosso desenvolvimento em determinadas competências: precisão, objectividade, racionalidade, organização, planeamento, comando, prazos, etc. Mas, por outro lado, também exige risco, imaginação na resolução de problemas, mudança nos paradigmas lineares, flexibilidade, proactividade, criatividade, inovação, espírito de equipa. Todas estas competências necessitam, naturalmente, da actividade do nosso cérebro - ”O cerebro é a vida”.
A sociedade moderna, tão preocupada com o sucesso e com os resultados, exige o nosso desenvolvimento em determinadas competências: precisão, objectividade, racionalidade, organização, planeamento, comando, prazos, etc. Mas, por outro lado, também exige risco, imaginação na resolução de problemas, mudança nos paradigmas lineares, flexibilidade, proactividade, criatividade, inovação, espírito de equipa. Todas estas competências necessitam, naturalmente, da actividade do nosso cérebro - ”O cerebro é a vida”.
Segundo os neurocientistas, o cérebro não é um orgão fixo. Uma área pode fazer diversas coisas, dependendo das circunstâncias, mas os hemisférios cerebrais, esquerdo e direito, não processam as mesmas informações, mas sim, repartem tarefas entre si. Os estudos de Sperry, neurobiologista e nobel de medicina, confirmaram que os dois lados do cérebro cumprem funções diferentes. O cérebro esquerdo responde pelos processos de pensamento convergente - é lógico, analítico, racional e voltado para os detalhes. O cérebro direito é mais intuitivo, pode fantasiar, ter ideias repentinas, priveligiando uma forma mais holística de funcionar, juntando as peças das informações que lhe chegam. A hemisfericidade não significa independência entre os dois hemisférios, o que acontece é que eles tratam a informação a níveis diferentes.
Quando ouvimos uma canção, as palavras activam o funcionamento do cérebro esquerdo, enquanto que musicalidade e, eventuais, imagens suscitadas pertencem ao cérebro direito.
São diversos os factores que contribuem, ao longo da nossa vida, para se subestimar a propensão imaginativa própria da infância. Formatados por alguma rigidez na educação, confrontados com as realidades da vida, reduzidos a velhos modelos comportamentais, sociais e escolares, ficamos espartilhados e não pensamos “além”.
“Era uma vez uma galinha branca que punha ovos azuis...
Ovos azuis? – reclamou a professora, indignada, interrompendo a leitura da minha redacção...
Ovos azuis, sim, senhora professora. A minha galinha põe ovos zuis.
A menina está a brincar comigo. Já viu alguma galinha pôr ovos azuis? Sente-se imediatamente e faça já outra redacção.
Voltei para o meu lugar(...)
Durante o recreio fiquei na sala, de castigo. Mas não fiz outra redacção.
Quando a professora me chamou para que lesse, em voz alta, a segunda versão, comecei:
Era uma vez uma galinha que punha ovos brancos, só porque não a deixavam pôr ovos azuis...”
(Maria José Balancho)
Estimuláram-nos, em criança, muito mais para a acção do pensamento convergente e fomos deixando o cérebro direito adormecido. Por isso, não desenvolvemos tanto o pensamento divergente. O cérebro está habituado e, perante um problema, preferimos recorrer ao que já conhecemos, em vez de trilharmos caminhos novos.
Michael Michalko, um importante treinador de criatividade, nos Estados Unidos, formula a questão: “Quando só se pensa como sempre se pensou, só se vai manter o que sempre se manteve – as mesmas velhas ideias.”
No entanto, também não é o hemisfério esquerdo o único impedimento às ideias luminosas. É verdade que as ideias surgem predominantemente no lado direito, mas nem toda a ideia inovadora é necessáriamente a ideal. Ela tem que ser como que “avaliada”. As conquistas consideradas criadoras destacam-se pela sua utilidade ou eficácia como, por exemplo, a lâmpada de Edison.
E quem faz essa “avaliação” num processo criativo?
Nessa fase, “quem comanda” é o lado esquerdo do cérebro. “O cérebro esquerdo mantém o direito na linha”, tal como descreve Ned Herrmann em The Creative Brain. O lado esquerdo, com uma actividade mais racional, analisa se o insight pouco comum, vindo do hemisfério direito, realmente contribui para a solução do problema. Por isso, segundo ele, “a criatividade tem sempre a ver com o cérebro no seu todo”.
O ideal é deixarmos a mente livre para ela buscar ideias, intuir, expandir, isto é, usar o pensamento divergente e, depois, colocarmos a lógica em accção, buscando resultados qualitativos e quantitativos, através do pensamento convergente. Assim, o hemisfério esquerdo e o hemisfério direito, em cooperação, “trabalham em equipa” para utilizarem todo o potencial criativo. Porque os dois tipos de processamento cerebral contribuem, de forma diferente e em etapas diferentes, para a produção criativa (Torrance, 1982), é que o uso do “cérebro integrado” é o ideal. O pensamento criativo decorre, portanto, da integração dos dois hemisférios e a predominância de um ou outro pode pode nao ser o melhor para a produção criativa.
A criatividade faz parte da natureza humana. Todos possuimos recursos criativos e com o estímulo certo podemos desenvolvê-los de forma produtiva, necessitando apenas de determinadas condições para que possa emergir como uma efectiva capacidade.
A motivação, por exemplo, pode ser a chave para o sucesso do crescimento do nosso manancial cerebral. Por isso, é importante encontrar formas, na vida quotidiana, que façam apelo a certos sectores menos utilizados.
Desenvolver o prazer por novas experiências, o espírito de curiosidade e sobretudo a coragem de mudar, de correr riscos e de passar também por insucessos, favorece o pensamento divergente, sendo fundamental nos processos criativos do pensamento e também um excelente passo na promoção e melhoria dos níveis de inovação.
Desenvolver a criatividade em prol da inovação
Existem muitas formas de aproveitar o potencial que cada um de nós tem para desenvolver a criatividade e usá-la em prol da inovação, da resolução de problemas, do desenvolvimento de novas ideias, teorias e instrumentos de trabalho – factores decisivos para o sucesso pessoal e das organizações:
• Pensar todos os dias em novas soluções para antigos ou novos problemas. “Quando a mente de uma pessoa se expande ao criar uma nova ideia, nunca mais voltará à sua dimensão original” - Oliver Wendell Holmes.
• Anotar todas as ideias mesmo aquelas que não façam sentido ou que não despertem o entusiasmo de ninguém. “Quando perguntaram a Einstein onde era o seu laboratório, ele tirou uma caneta e respondeu “Aqui!”
• Escutar e observar tudo à nossa volta. É importante estar atento aos pequenos detalhes para se ter uma visão mais real das coisas. Utilizar todas as armas e sentidos na busca de melhores respostas.”Descobrir é olhar para a mesma coisa como todos olham e ver algo de diferente” (Szent-Gyorgyi).
• Desenvolver a curiosidade. Utilizá-la para levantar todos os dados do problema e buscar a melhor solução. Einstein disse: “Não sou mais inteligente do que os outros, sou apenas a pessoa mais curiosa que conheço”.
• Aprender a gostar de desafios como uma oportunidade de inovar. “Optimistas vêm oportunidades em todos os problemas. Pessimistas vêm problemas em todas as oportunidades”.
• Ter a coragem de questionar e duvidar. É o caminho para se entender melhor os problemas e dar o primeiro passo para uma solução criativa.
• Aproveitar o tempo para enriquecer a experiência. Descobrir novas fontes e abastecer o banco de ideias. É preciso estar preparado para a criatividade. “A casualidade somente favorece os espíritos preparados” Pasteur.
• Pôr as ideias em acção. Tentar, experimentar, testar, sabendo, contudo, que é provável que tenhamos muitas quedas durante o percurso. Afastar o medo de errar. Quanto maior for a quantidade de ideias que se põem em prática maior será a qualidade da que tiver sucesso. É da quantidade que sai a qualidade. Não é preciso uma grande ideia mas sim uma ideia de grande resultado. “As piores ideias são aquelas que nunca sairam da gaveta”.
Tay Correia Silva
(Revista CXO - Tecnologias de Informação para Executivos, Nº 13)